6 de jul de 2009

Diego Molina escreveu sobre a exposição:

Coletivo de mim de Jonas Meirelles: dar/tirar a cara

Os entusiastas, que abundam mais do que costuma se imaginar, remontam a modernidade à época socrática; quando o filósofo escolheu a cicuta antes que modificar ou desrespeitar as leis de Atenas. Os menos convictos, ou talvez seja melhor chamá-los de mais metódicos, colocam em perspectiva o ingresso na modernidade durante o Renascimento. Mas, apesar das estimativas, o certo seria dar início ao curso da modernidade depois do cogito cartesiano; sim, depois daquela frase já insulsa que vinha a declarar: penso logo existo. O homem correu da cena (e do cenário) a presença de Deus num processo paulatino, em gradiente vertiginosa, que a historiografia recolheu sob o nome de secularização. Abandonado Deus, logo morto por Nietzsche, o indivíduo coloca-se no centro e cria as próprias leis, sem lugar para os prodígios da magia, nem o obscurantismo das revelações. Avançando, já no século XIX, perdem-se no caminho alguns dos sonhos mais polidos da Ilustração: o universalismo, o racionalismo; e surgem as particularidades, o próprio, a nação. Desencantado com o mundo, fragmentado, escindido, atomizado e com os valores destroçados, o indivíduo toma o lugar central de Deus como demiurgo: o artista como criador e não como criatura. A natureza do homem é, pois, a criação; já não a reprodução nem a representação da natureza, senão a expressão.

Claro que nem os mais entusiastas deixaram de perceber que nem tudo era tão simples na ascensão do indivíduo. Sujeito a novos poderes centralizadores, com o individualismo como premissa, o homem entendeu que o capitalismo havia ocupado todos os espaços; uma onisciência inescrupulosa (o deus-capital está presente até quando, pelados, tomamos banho!). Mas não se trata apenas do individualismo, do mercantilismo, logo da divisão do trabalho e a conseqüente imposição da nova lógica de produção, senão também dum processo de rei-ficação (cosificação) que vá dos objetos até os homens. Nesse processo, nem a obra de arte se salva. Desde a dialética negativa da Ilustração, até o arribo da era da reprodutibilidade técnica, prévio passo pelas vanguardas históricas e a subseqüente museificação da obra de arte, o indivíduo-artista fragmentado-moderno não parou de perguntar: qual é meu lugar? Qual o lugar da arte? Para quê? Para quem?

Em Coletivo de mim, Jonas Meirelles pergunta(se) e repassa estas questões de duas maneiras. Em primeiro lugar, tirando aquilo que de mais pessoal temos como indivíduos: o próprio rosto. Em segundo lugar, colocando o rosto no agir ¬do outro. A dualidade, marca da modernidade que pode apresentar-se no tópico coincidentia opossitorum, isto é: encontro de opostos, interconectados, reaparece de maneira notável. Eu sou (completo-me) nos outros, e logo o coletivo é quase um conclusão: eu sou nos outros = nós-outros. Tirar – dar o rosto. É um reaparecer figurado da aura repartida no olhar alheio. Trata-se de codificar o gesto na intervenção, cobrir de temporalidade a criação fechando o círculo no espectador, um terceiro-outro que adivinha a completude no conjunto. No coletivo está a resposta à pergunta implícita sobre o eu. 22 intervenções que prefiguram a infinidade possível, isto é, a convergência absoluta de olhares dando conta do eu. Não entrarei em detalhe sobre cada intervenção porque é no conjunto, na série e na própria idéia de continuação que propõe o coletivo que está a verdadeira reativação artística. Proposta simples da complexidade do ser e o outro, Coletivo de mim expressa uma horizontalidade que devemos remarcar: não há olhar mais ou menos autorizado para completar o eu. Difícil prefigurar uma metafísica transcendental do sujeito como ser, como uma ontologia do olhar, o melhor seria resgatar uma estética plural das relações.
Resta concluir, se a reificação converte o outro em objeto do meu olhar, a intervenção, a convocatória coletiva artística plural, redesenha os traços da multiplicidade do eu. É nessa multiplicidade que a experiência artística ganha relevância; é ali onde se perde e (re)encontra o eu.

Diego A. Molina, São Paulo, julho de 2009.

3 de jul de 2009

O ilustrador e quadrinista Nik Neves, da ótima Picabu, fez uma versão pra xilogravura:


Quem quiser, tem a imagem "toda branca" da gravura no meu flickr, onde tu pode mandar numa gráfica ou simplesmente mandar a arte digitalmente. Daí manda no meu mail que eu colo por aqui.

22 de jun de 2009

Algumas fotos da abertura:













15 de jun de 2009

Montada!


Montei hoje. Colei os lambe-lambes e se não chover logo menos devem estar intactos pra abertura de amanhã. E vão ser vendidos a 10 mangos como combinado.
A parte de dentro (no anexo propriamente dito) foi mais complicada, mudei a posição das gravuras umas cinco vezes cada. Não digo que consegui, mas tem lá uma conversa, uma relação entre elas (tanto uma de frente pra outra como uma do lado da outra). E a gravura do Marcio foi resolvida (explico: a dita tem um vidro na frente e um mdf nas costas...precisou fazer um furo atrás e parafusar a parede) e tá lá, segura (até a hora que eu tava lá).

É cedo, mas já começo a agradecer.
Ao Eduardo, da galeria, por aceitar de cara o projeto e todas as sugestões que dei;
à Nina pela paciência e por ajudar na montagem. E pelas dicas dos lambes;
à Regina e à Maria Fernanda pela ajuda no texto da exposição;
ao João, pela paciência e por tirar foto de todas as gravuras;
ao Marcio pelo convite;
ao Leandro e o pessoal da Imagem Digital (gráfica que virei cliente...ótimas impressões);
e lógico, aos 22 participantes ( Ana Laura, Beatriz, Capella, Carla, Cauê, Daniela, Débora, Eliomar, Fábio, Fernando, Gabriela G., Gabriela K., Guazzelli, João, Zé e Isabela, Julia, Luise, Marcio, Orlando, Pedro, Reginaldo, Simone) do projeto.

Se esqueci de alguém fala aí que em blog a gente pode editar.

Apareça na exposição, que tá bonita.
Braços.

ps: Ah, os outros dois artistas também prometem muito, além de serem muito gente finas...belas obra de Ana Calzavara e Teodoro Dias.

25 de mai de 2009

Fábio Uehara

25 de abr de 2009

Exposição

A exposição dessas gravuras (Coletivo de mim 3x4) vai acontecer de 16 de junho a 18 de julho no anexo da galeria Gravura Brasileira. No outro espaço e ao mesmo tempo, ocorrerá a exposição Gravuras e Desenhos de jovens artistas paulistas, de Ana Calzavara e Teodoro Dias.

A exposição está noticiada aqui.

Ah, e na próxima postagem coloco as gravuras do Fábio Uehara, que vão virar lambe-lambe na parede ao lado do espaço anexo.
Simone Peixoto
Débora Maria
Fernando Vilela
Ana Laura Rodrigues

28 de jan de 2009

20 de dez de 2008

José Barrichelo + Isabela Johansen
Cauê Madeira
Márcio Koprowski
Eloar Guazzelli
Luise Weiss
Reginaldo Flores
Pedro Campanha
Júlia Salgueiro
Eliomar da Conceição
Beatriz Giacomini
Bruno Capella
Gabriela Kaufmann
Orlando Pedroso
Gabriela Godoi
Carla Bonomi
Daniela Avelar

É chegada a hora

Ok. Ainda não recebi todas as gravuras.
Acho que faltam 2 ou 3.
Tirei foto de algumas e tem mais duas pessoas que fizeram em meios não-analógicos, vamos dizer assim...
A seguir as últimas fotografadas com os respectivos nomes...
Quem pedir troco o nome artístico...

'Proveitem!

17 de nov de 2008

O começo de tudo


A partir de uma xilogravura de minha autoria foi proposto a 22 pessoas, dentre elas estudantes de artes plásticas, artistas plásticos, ilustradores e pessoas próximas com algum domínio de linguagem plástica a propor intervenções nessa gravura.
Trata-se de uma xilogravura de auto-retrato com três 3x4 minhas ampliadas, uma em cima da outra. Cada auto-retrato vem sem face, sem rosto, somente um vazio, um branco.
A proposta dada para cada pessoa foi de criar diferentes Jonas na impressão, tendo liberdade total na questão de material e da própria intervenção.
Essa proposta se restringiu a pessoas que me conhecem e/ou já me viram ao menos uma vez, tendo assim a idéia de registrar uma lembrança também.
Ao final da criação de todos os participantes, é tido como idéia expor todos os trabalhos juntos para se observar as variações de intervenção sobre a mesma gravura.